Guga popularizou modalidade



O esporte exige elevado investimento e alto nível técnico do atleta que pretende se dedicar à carreira de profissional

Dúvidas não há de que as vitórias e títulos conquistados pelo catarinense Gustavo Kuerten por quadras de tênis do mundo inteiro tornaram este esporte mais conhecido e popular no Brasil. E a “Gugamania” como fenômeno nacional também aportou no Ceará. Para o técnico Luciano Néri, o Paquete, que trabalha na Academia Tanis Lima (Rua General Caiado de Castro, 366 - por trás da Tok Stok da Av. Washington Soares), “através dos resultados do Guga o tênis se tornou difundido no Estado. E a ‘febre’ contribuiu para o aumento do número de quadras, praticantes e vendas de material esportivo”.

Técnico há 28 anos - foi atleta e aos 16 anos começou a ministrar aulas no Clube Círculo Militar -, e um dos capacitadores da Confederação Brasileira de Tênis (CBT), ou seja, ministra cursos no País para a formação de novos treinadores, Paquete afirmou que não há uma idade específica para começar a praticar o tênis.

“Não há idade ideal para a iniciação no esporte, até porque o tênis, hoje, nas escolinhas, envolve pessoas dos 4 aos 80 anos. É lógico que quanto mais cedo o interessado começar a ter contato com a modalidade, melhor”, disse Paquete. Mas há treinadores que consideram os seis anos a idade ideal para o início no tênis, pois a criança já desenvolve desde cedo uma noção sobre o esporte. “Começando aos seis, com oito anos, a idade motora está mais avançada e é quando começa a fase de treinos”, explicou Sven Jakobson, técnico formado em Educação Física e que atua em São Paulo. “A prática, para quem deseja se profissionalizar, deve ser feita no mínimo três vezes por semana”, recomendou o técnico Jakobson.

Mais fácil

Luciano Paquete lembrou que “hoje, está mais fácil jogar tênis. As aulas, em grupos, ficam ao alcance financeiro do iniciante, pois além do custo se tornar mais baixo, é melhor para o professor, que não precisa ocupar todo o espaço da quadra - 36mx16m”.

O treinador da Academia Tanis Lima falou que anteriormente, “o professor, nas primeiras aulas, já colocava o aluno no fundo da quadra e ia soltando bolas para que ele rebatesse. Como esse aluno tinha dificuldade para colocar a bola por cima da rede, a aula ia se tornando frustrante. Por isso havia uma grande rotatividade nas academias”, informou.

“Mas, hoje, usamos só a metade da quadra no início das aulas, ou seja, realizamos atividades nos 12m do espaço, com a rede mais baixa; depois passamos a usar 18m, com bola adequada - soft, de esponja, que não corre muito -, até chegar ao tamanho normal, quando o aluno já está adaptado ao peso da bola, à altura da rede, à raquete”, concluiu Paquete.

O investimento para a iniciação no tênis não é tão alto. “A maioria das escolinhas das academias e clubes coloca à disposição do aluno o material necessário, ele só tem que pagar a mensalidade, que varia entre R$ 60,00 a R$ 200,00, de acordo com cada clube ou academia”, informou Jesus Tajra, vice-presidente da CBT, que comanda a Academia Set Point.

“Na escolinha o aluno tem direito a bola, raquete, boleiro. E são essas escolinhas que estão acabando com o estigma de que o tênis é um esporte de elite. Geralmente, o aluno tem duas aulas por semana, com todo o material à disposição”, frisou Paquete, técnico do tenista Thiago Monteiro, campeão sul-americano da categoria 14 anos em Caracas, Venezuela.

“Todo mundo aprende a jogar tênis. É claro que há pessoas que têm mais facilidade, mas o item essencial para que o atleta se destaque é o querer dele. Se vai ser um campeão ou um bom tenista, isso é outra coisa”, ressaltou o Paquete.

PROFISSIONALIZAÇÃO
Investir alto é preciso nesse estágio

Como em qualquer outra modalidade de esporte, a partir do momento que o aluno opta pela profissionalização, jogar um tênis de alto rendimento, as coisas mudam. As aulas passam a ser individuais. Daí aumentam os gastos, o esporte fica oneroso. O atleta vai ter mais atenção do técnico e investir em viagens para disputar torneios fora do Estado.

Mas até chegar a um estágio no qual o professor vislumbre que seu pupilo pode encarar uma carreira profissional, há muito que ´ralar´. O tênis exige força de vontade, disciplina, dedicação. E para ser um profissional, o atleta tem que treinar exaustivamente e, claro, ter as condições financeiras para bancar o seu treinamento.

“O equipamento e as aulas não têm preços tão elevados, mas as viagens para os torneios dependem, na maioria das vezes, de financiamento próprio” esclareceu Faber Monteiro, o irmão-coruja do tenista Thiago Monteiro, campeão da edição 2008 do Banana Bowl e tetracampeão do Circuito Rota Sol.

Apostando na futura carreira profissional de Thiago, Faber comentou: “Nós gastamos cerca de R$ 20 mil para que o Thiago participasse, neste primeiro semestre, de cinco torneios importantes do País. Foram duas etapas do Credicard em Santos e Campinas/SP, o Pré-quali e o torneio principal do Banana Bowl/SP e o Gerdau, no Rio Grande do Sul”.

Outro destaque do tênis cearense, Pedro Zanotelli, 18 anos, já encara a carreira profissional, “que exige respaldo financeiro para viajar, correr o mundo para competir”, disse Jesus Tajra, seu treinador”. Atual líder do ranking estadual, “Zanota” vai jogar torneios da CBT em Uberlândia/MG, Cuiabá/MT, Teresina/PI, Guarulhos/SP e em Fortaleza.

ONDE PRATICAR
Quatro são as academias em na Capital

Quatro academias em Fortaleza oferecem ao interessado espaço para a prática do tênis. Como a Set Point (Rua Eduardo Sabóia, 555); Tanis Lima (Rua General Caiado de Castro, 366), que dispõe de quatro quadras; Via Tênis e Academia Cearense de Tênis. Além dessas, o futuro “cover” do Guga pode ainda se encaminhar aos clubes Círculo Militar, Náutico Atlético Cearense (Avenida Beira-Mar), Marreco Tênis Clube, Ideal Clube (próximo à Praia de Iracema), ASBAC (Associação do Banco Central) e começar a dar as primeiras raquetadas.

A OPINIÃO DO ESPECIALISTA
Resultados são fracos

Luciano Néri, o paquete
Técnico e capacitador da Confederação Brasileira de Tênis

Parte técnica do nosso tênis, principalmente na categoria infanto-juvenil, é excelente, mas os resultados obtidos fora do Estado são muito fracos. Isso se deve às dificuldades dos nossos tenistas para viajar e competir nos torneios interestaduais, como no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Os campeonatos fora do Estado permitem que nossos atletas evoluam, conheçam os adversários e disputem os torneios com eficiência. E olhe que o Thiago ainda não conta com patrocinadores fortes, mas tem o apoio do Colégio Santo Inácio, onde pode adquirir conhecimento para seguir carreira liberal, caso não obtenha sucesso numa possível profissionalização como tenista.

Moacir Félix
Repórter